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Pedro Almeida | Fez falta o público
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Depois de um titulo júnior no Rallycross, Pedro Almeida entrou nos ralis praticamente pelo topo da pirâmide. Apesar dos bons resultados o piloto deu um corajoso passo atrás para cimentar os conhecimentos base.  Sobre isso e muito mais falou com o RaliFórum.

RaliFórum - Como o RaliFórum faz 10 anos de existência a primeira questão prende-se exatamente com esse período temporal, como avalia a sua carreira nos últimos 10 anos, que recordações, ensinamentos e balanco faz deste período de tempo?
Pedro Almeida -
Há 10 anos atrás confesso que não tinha a expectativa de ter somado tantos quilómetros. O meu percurso começou no Karting, passou pelo RallyCross e só nos últimos 4 anos encetei percurso nos Ralis. No RallyCross cheguei ao título nacional Junior. Mas foi precisamente quando cheguei aos ralis que tudo aconteceu muito depressa. Da estreia até conduzir um R5 foi um instante e nesta última temporada optei por voltar a conduzir um carro de duas rodas motrizes, de forma a somar alguma aprendizagem que pulei ao pegar muito cedo num R5. Mesmo assim os resultados nessas épocas foram bons, com um quinto e um sexto lugar absolutos no campeonato. Este último ano fizemos 13 ralis e estou muito satisfeito com toda a aprendizagem que somamos ao volante do Peugeot 208 Rally4. As provas do europeu e da Copa Ibérica deram-nos alguma bagagem que será fundamental para o futuro. Olhando para o princípio, estou satisfeito pelo percurso que tenho feito, mas ainda estou no começo e aos 23 anos há ainda muito para aprender e evoluir. 

RaliFórum - O que mudou em termos de ralis nos últimos 10 anos, tanto para melhor como para pior? 
Pedro Almeida -
Como te disse só tenho 4 anos de experiências, e apesar de ter acompanhado o meu pai nos ralis desde criança, na verdade não olhava para os ralis como o melhor ou o pior. O que noto é uma necessidade grande de as nossas organizações seriam melhor promovidas, de forma que os patrocinadores olhem para os ralis como oportunidade de rentabilizar os seus investimentos publicitários. Estou certo que os clubes e a FPAK estão atentos a esta realidade e com os bons exemplos que nos chegam do WRC (World Rally Championship) ou do Europeu, podemos melhor em alguns destes aspetos. 

RaliFórum - O que diria a si próprio se o Pedro de 2021 pudesse dar um conselho ao Pedro  de 2011?
Pedro Almeida -
Não mudaria muito. Desde muito cedo percebi que se queria estar nas corridas não bastaria acelerar. Há muito trabalho que é necessário fazer e para estar muitos anos neste desporto é preciso ser persistente, exigente e fazer trabalho diário, não só na preparação dos ralis mas também na questão física e de logística ou comunicação. 

RaliFórum - Focando agora na época que findou, altamente atípica devido à pandemia, que balanco faz da mesma? 
Pedro Almeida -
Positivo porque cumprimos com boa parte dos objetivos que tínhamos antes de nos terem privado de competir com normalidade. Estivemos em 13 ralis – ERC (European Rally Championship), Peugeot Rally Cup Iberica e CPR (Campeonato de Portugal de Ralis) - e fomos a dupla com mais provas realizadas esta temporada. Gostávamos de ter feito melhor em Roma ou nas Canarias. Em Fafe andamos bem até à saída de estrada e na Aboboreira nem chegamos a sair à estrada... mas tomamos lições muito importantes. Vencemos o Rali de Mesão Frio e da Calheta, e estivemos no pódio do ERC em Fafe. Às vezes olhamos para o resultado final e achamos que podíamos ter feito mais e fica-nos algum desapontamento, mas quando analisamos os outros indicadores conseguimos encontrar experiências e pontos positivos, que nos vão fazer melhorar o indicador resultado nos próximos anos. 

RaliFórum - No seu ponto de vista, foi feito tudo aquilo que era possível para ter um campeonato digno e competitivo?
Pedro Almeida -
O campeonato foi competitivo, emotivo e as classificações estavam em aberto até à última prova, que acabou por não se realizar. Foi o campeonato possível. Mais que a competitividade ou a dinâmica do Parque de Assistência, sentiu-se a falta de público. Os ralis não são definitivamente um desporto de sofá. Faz falta gente na berma da estrada. 

RaliFórum - No que respeita à época de 2021, no momento em que fazemos a entrevista não são ainda conhecidos os calendários, como pensa que deveriam ser estruturados os mesmos? Quantas provas pensa que deveriam ter? Concorda com inclusão das provas internacionais no calendário?
Pedro Almeida -
Ponto prévio, sou fã dos ralis longos, das provas longas e da organização quer do europeu quer do mundial de ralis. Se pudesse faria qualquer um destes calendários por inteiro. O CPR deve ter um calendário que permita uma participação massiva de todos os pilotos, de Fevereiro a Novembro, creio que com uma organização por mês, que permita a todos preparar cada rali. A inclusão dessas provas internacionais traz sempre benefícios, já que permite lutar lado a lado com pilotos com outras experiências e a competitividade traz sempre evolução. 

RaliFórum - Em termos pessoais, que objetivos tem para a época que agora se inicia? 
Pedro Almeida -
Ainda estamos em fase de definição do calendário que vamos fazer em 2021. Mas claramente vamos optar por um conjunto de provas que nos façam elevar o patamar de exigência competitiva, de forma a continuar a construir um percurso de novas experiências, que nos próximos anos permitam lutar por vitórias e títulos. É esse o caminho que queremos e temos definido.

Foto: Facebook Pedro Almeida Race Page

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